01 janeiro 2026

josé gomes ferreira / porta que se rasga



 

LI
 
Porta que se rasga
nas pedras.
 
E pé ante pé
por degraus magoados
desço à Caverna
onde me encontro de súbito diante dum ser que desconheço
a falar com a minha boca
a linguagem do sabor das fontes
na Solidão do Começo.
 
Mas eu prefiro a outra,
a Solidão
insurrecta das sementes
– onde talvez um dia as flores abrirão
Para o destino de bandeiras quentes.
 
 
 
josé gomes ferreira
poesia IV
encruzilhada (1949-1950)
portugália
1971