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22 janeiro 2026

helga moreira / tarde sem fim

  
Abrem-se portas, fecham-se medos,
pela noite fora virão os pesadelos;
rasga-se o brilho suspenso nos caminhos,
rasgam-se entradas e saídas,
estende-se
o sol por onde
ainda é visível
um ponto de luz, pássaros
cinzentos, ninhos e o meu espanto,
o meu espanto por tudo isto demorar assim;
um corredor de bancos corridos,
tardes sem fim, um rio,
escadas de cantaria,
 
os jogos no recreio, uma tília,
um aparo, um tinteiro, um quadro e giz
 
Virão depois
as frases rasuradas, os calendários,
os encontros na penumbra,
um sopro,
o tempo vivo, o tempo morto
– uma figura em estátua e jardim –
o sorriso aos tombos
um som
 
 
novembro 1997
 
 
 
helga moreira
hífen 11 maio 1998
o sítio das nascentes
cadernos semestrais de poesia
1998 




19 junho 2023

helga moreira / sentido algum nos permite revelar

 
 
Sentido algum nos permite revelar onde estamos
ou, apenas um percalço, a sensação sempre presente
de desprendimento.
Intuímos como quem segue a noite em imagens
sem nomeações ou mistérios
abandonados apenas ao desencadear de turbulências
que nos trazem alegrias, tristezas,
um ou outro odor, alguma mágoa.
 
Vamos confinando o dia, a noite, todo o corpo
ao olhar, à voz que nos persegue
e nunca é demais a tarde
quanto é tarde já pela manhã e melhor fora
não repartir esta luz à medida, por vezes, do ardor
e do que fica no poema
outra conjura, outro norte, a mesma voz, um outro tema?
 
 
 
helga moreira
hífen 6 fevereiro, 1991
cadernos semestrais de poesia
heresias
1991
 
 

07 agosto 2015

helga moreira / dobra palavras, silêncios.



Dobra palavras, silêncios.
Para o corpo pede uma qualquer
hora de encanto.
Falo da beleza dos seus olhos
e o rosto estremece,
cúmplice.



helga moreira
poesia digital
7 poetas dos anos 80
campo das letras
2002



27 fevereiro 2012

helga moreira / canta, embebeda-se pelos bares

  



Canta, embebeda-se pelos bares
ou não se embebeda e só o luar
guarda na mala

ou não canta e tece
pequenos vestígios de fogo.

Recorda macieiras, papoilas,
alguma poeira imperceptível,
febres de verão.





helga moreira
poesia digital
7 poetas dos anos 80
campo das letras
2002