12 fevereiro 2026

e e cummings / sê para o amor como chuva para cor

  
 
LXIII
 
sê para o amor como chuva para cor; cria
me gradualmente (ou como estes emergindo agora
montes inventam o ar)
                                         respira simplesmente cada meu como
meu tremer onde meu ainda invisível quando. Espera
 
se não sou coração, porque pelo menos bato
– pensa sempre que parti como um sol tem de ir
às vezes, para fazer uma terra alegremente parecer firme para ti:
lembra-te (como essas pérolas mais que rodeiam esta garganta)
 
uso teus mais caros medos para além da sua interrupção
 
(nem tem uma sílaba ávida turva do coração
enorme linguagem perda ou ganho de censura ou aplauso)
mas muitos pensamentos morrerão, não nascidos do sonho
enquanto asas acolhem o ano e árvores dançam (e se calhar
 
embora desejo e mundo se afundem, um poema flutuará
 
 
 
e. e. cummings
trad. ana hatherly
hífen 5 março
cadernos semestrais de poesia
tradução
1990




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