um tíaso invisível a passar,
com músicas divinas e algazarra –
a tua fraca sorte, as tuas obras
frustradas, os teus planos que afinal
eram miragens, não os lamentes em vão.
Como se há muito pronto, como um bravo,
despede-te da Alexandria que te foge.
E, sobretudo, não te enganes, e não digas
que te mente o ouvido; não consintas
albergar essas ocas esperanças.
Como se há muito pronto, como um bravo,
como cabe a quem merece tal cidade,
vai, chega-te à janela resoluto
e ouve com emoção, mas não com
os prantos e protestos cobardes,
num último deleite, os sons lá fora,
a divina toada do cortejo oculto e
diz adeus à Alexandria que vais perder.
konstantino kaváfis, 145 poemas
tradução de manuel resende
flop livros
2017
