Vinde cá, juntos
falemos,
pois quem fala
não morreu,
as labaredas já
temos
para a fome que
nos deu.
«Azuis»,
«vermelhos», digamos,
vinde cá,
digo-vos eu,
vemos, ouvimos,
‘spiamos,
pois quem fala
não morreu.
Só na tua
solidão,
no ermo pardo
que tiveres,
estás só, não
há bustos, não
há diálogo nem
mulheres,
e já quase
escolhos toca,
e é bem fraco,
o barco teu –
vinde cá, abri
a boca,
pois quem fala
não morreu.
gottfried benn
50 poemas
tradução vasco graça
moura
relógio d’água
1998