
Então assim,
levei-te até à “Cisterna, o subconsciente
da imensa
cidade… – não, o metro não é o mesmo
quando, lá
dentro, tende alguém a desaparecer e não
se sabe por
quanto tempo… – ou tal como água da chuva, filtrada
no solo e por
entre seixos, deixando tudo o que é desnecessário
à superfície,
nós mesmos nos esvaecemos como duas almas, Beatrice e eu;
a agitação que
deixámos para trás, a ruidosa multidão e os carros, o
eléctrico e
toda a intensa actividade mercantil… se mantiveram
afastadas,
longe, no sereno e materno ventre, da antiguidade.
Então na
penumbra, lembro-me de ti como uma bola de luz flutuando
no ar e
enquanto os peixes vinham nadando sobre
a tua reflexão
tocando uma curiosidade instintiva;
tu te
lamentavas com a música, que, no entanto,
com o som da
tua voz, se tinha então transformado
numa melodia e
começado a fazer derreter a parede congelada
ameaçando ainda
a temível influência da Medusa.
Assim por isso
ela nos fixou com tanta ira e lançou seu olhar frio
que por nós
passou milagrosamente sem um arranhão
que caiu sobre
a lente da câmara, que estava prestes a captar
as nossas
imagens para as reter enquanto a memória electrónica
durar, mas que,
agora, nos fará viver ante o seu olhar hirto
e suspenso até
à eternidade.
nazmi ağıl
trad de rui
cóias
nervo 28 set/dez 2026
colectivo de
poesia
2026