não se saber exactamente
em que mundo se vive.
uma existência longuíssima,
decididamente mais longa
que a do próprio mundo.
conhecermos outros mundos.
que nada sabe fazer tão bem
como limitar
e criar obstáculos.
da clareza da imagem
e das conclusões finais,
elevarmo-nos para lá do tempo,
no qual tudo em turbilhão se precipita.
desistam para sempre
de detalhes e episódios.
deveria parecer
um acto sem sentido,
pôr uma carta no correio
capricho da louca mocidade,
uma tabuleta estúpida.
paisagem com grão de areia
trad. júlio sousa gomes
relógio d’água
1998
