e dava dinheiro aos cegos.
O resplendor da janela
atravessava-lhe a escassa cabeleira
até alcançar a demi-tasse que a mão segurava.
Não sei se falava de mim.
que trazia no nome a sua sina, preferia a leitura do café.
que uma viagem, que a amante, que a morte,
um encontro, qualquer coisa
que tornasse extraordinária a sua vida simples.
cega entre cegos velava a tormenta.
Nunca me ouviu, ausente,
sob o esfumado da lua.
telhados de vidro nº. 19
maio de 2014
tradução de inês dias
averno
2014
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