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04 julho 2019

marcos foz / arca e usura


[…]
mil cambalhotas para
acabar com um anzol preso aos beiços
– alguns anos são assim –
todos os músculos ferozmente retesados
alguns relatos que nos chegam da tv
tsunamis e terramotos e a nossa cabeça
furiosa pelo trabalho da imobilidade na sua preocupação

alguns anos são assim
por vezes largam-nos de novo no charco
com uma pequena mancha vermelha a servir
de testemunha outras vezes (sad sad song)
puxam até à surpresa e deformidade

& como árvore que amadurece os seus frutos
no centro de quatro paredes em ruínas
finjo que tudo vai bem no que me rodeia
ignorando o declive da paisagem
ou a excursão de bárbaros sedentos
por sujarem um pouco mais o nosso baldio

[…]


marcos foz
arca e usura
edição do autor
2019







15 março 2019

marcos foz / arca e usura





[…]
penso no dedo de Montaigne
quando aponta para esse trilho onde as ideias
não conhecem somente a direcção do futuro
imito as ideias para salvar o texto
dou passos atrás pelo susto da demora
desato a correr e rompo a quietude das folhas
rasgo olhares aos velhos pendurados à janela
e ofegante encontro o grande granito que marca o centro

[…]



marcos foz
arca e usura
edição do autor
2019





20 junho 2018

leonor castro nunes e marcos foz / a bifurcação dos ossos




26.

I wonder about the love you can´t find
And I wonder about the loneliness that´s mine
isto num colchão a mil quilómetros
de lonjura perdoável.

Mais fósforo menos fósforo
e um dia fica só o lugar da cama
onde amámos a passagem da luz
de ponta a ponta
e fomos amealhando o crédito
a julgar que nos bastaria para tanto;
um gelado de baunilha um concerto nas escadas
de uma cidade que nos recebesse.



leonor castro nunes
e  marcos foz
a bifurcação dos ossos
do lado esquerdo
2016









27 dezembro 2017

leonor castro nunes e marcos foz / a bifurcação dos ossos



12.

Sou vadio demais para pertencer à glória histórica,
mas conheço de cor o cheiro do sal
e nos meus pulmões nasceu uma flor vinda do pó
demasiado frágil para aguentar os labirintos subterrâneos
que desenhei.



leonor castro nunes
marcos foz
a bifurcação dos ossos
do lado esquerdo
2016









13 setembro 2017

leonor castro nunes e marcos foz / a bifurcação dos ossos





4.

O Não Sei é uma ultrapassagem perigosa
para quem anda entre o terceiro copo e o primeiro charro
onde a cinza arde vinte e quatro vezes por segundo
batida por dois alunos medíocres.

A vontade de aprender não pode ser ensinada
e eu que não sei nada adivinho
a professora de matemática assassinada
e os números e suas raízes partem em solene procissão

como os velhos que pagam promessas não se sabe a quem.



leonor castro nunes
e  marcos foz
a bifurcação dos ossos
do lado esquerdo
2016