para os irmãos correrem
de um lado para o outro com bilhas de gás
ameaçadores: mau vinho pior poesia.
a desorganizarem-se ao vento sul.
Foi há tanto tempo, foi no princípio
do bando; entrava-se e saía-se numa correria
sobre os ombros de miúdos
ainda sem idade para aqueles preparos: esperma
nas fissuras do corpo, nas comissuras dos lábios.
que algum poema coroa
a bem da Literatura… Porque no princípio
era o bando, o Verbo do terror
Havia quem preferisse dormir
apesar do ruído dos livros,
a cabeça pousada no extintor
… nessa altura ainda não sabíamos
quão injuriosa pode a Cultura ser: é o fim
do século.
o morto – já não tuge (aparentemente) - , o esquife
a flutuar descrevendo arcos de circunferência, lambendo
os ícones tristonhos da Basílica, seis homens-lastro
nos retorcidos da talha. –
Do outro: memórias drásticas, saudade. Sem aviso,
pedra de arremesso, cedem os vitrais
os pequenos equilíbrios impressos ao nível do nervo,
onde mais se nota a diferença entre aquilo que nos chega
(notícias) e o conhecimento… o plaino
maldita: a Eternidade passa bem sem nós.
Corria-se então: com ferocidade direito a objectivas fotográficas,
direito a gavetas cheias de cabras que tilintavam
da ordem. Lá fora, mora o inimigo! Era só
sair a acirrá-lo, regressar a casa, ver
os estragos pela televisão.
do tweed, ou em lamúrias de sangue
mal drogado nas veias, e depois o tal regresso
ao noticiário, ao mito, à museologia.
lembrar dessa Santa Catarina intimidades:
o quebra-mar que cede, um petroleiro
que explode, poemas jacentes
em telefonemas sussurrados. Deslizes
mínimos corrigidos nas últimas provas, e
de novo sempre sempre os segredos roubados
a celebrar o trabalho sujo que alguém fez
por nós. Cordas da roupa enroladas nas pernas
para que os tropeços da inspiração
com episódios escolhidos contra a ideia
latente da arca de cânfora…
ou da bilha do gás. Exaltação, peculiares
a terrível agenda das benesses, não sejais
unhas de fome!
hífen 11 maio 1998
o sítio das nascentes
cadernos semestrais de poesia
1998
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