Uma mulher doida corria pela praia quente.
(De vez em quando o céu, olhando essa doente,
Lembrava um sôfrego olho, cego desse sonho).
Dias desembocados no bordado das vagas,
Dias finais, sem mágoa, sem tormenta,
sem voz, sem tempo, dias sujas asas.
Com uma faca retalhava-as e chorava.
Com o seu sangue e ria e o lambia.
extraía um filho morto e o olhava,
antes de dá-lo ao mar que o acolhia.
noemas
noemas
língua morta
2022
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