na preia-mar da branca face
e o conflito de luz e vento
no salão da neve fria.
o lenço exacto da despedida,
a agulha que mantém pressão e rosa
no rubor gramíneo do sorriso.
as vacilantes expressões bovinas,
a mentirosa luz dos pólos,
a dança curva das águas na margem.
enchem o barro de nervos luminosos
e patinam lúbricos por águas e areais
provando o frescor amargo à sua saliva milenária.
azul sem nenhum verme nem pegada adormecida,
onde os ovos de avestruz são para sempre
e vagueiam intactas as chuvas bailarinas.
azul de uma noite sem temor de dia,
azul onde a nudez do vento vai partindo
os camelos sonâmbulos das nuvens vazias.
Ali os corais embebem o desespero da tinta,
os que dormem apagam o perfil sob a madeixa dos seus caracóis
e fica o espaço da dança sobre as derradeiras cinzas.
nova iorque num poeta
trad. antónio moura
hiena editora
1995

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