Eu começara a ganhar raízes
pelas barreiras. Ia aprendendo a conhecer os répteis pelo rumor. Quando o sol
apertava, uma cobra azul, não, verde, não, azul, aproximava-se, os olhos cor de
basalto. Ficava por ali a olhar-me, eu a olhá-la. Fascinados. Um dia não sei
que me deu, corri atrás dela, entrou num buraco de silvas, ainda lhe acertei
com a pedra, por momentos a cauda agitou-se crispada em convulsões, depois
desapareceu, talvez lhe tivesse quebrado a espinha, nunca mais a vi. Era azul. Verde.
Um braço de sol.
eugénio de andrade
limiar dos pássaros
limiar
1976
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