um nome que me
digas ou me não digas duas vezes
em dois abismos de sono, esse nome
faz-se carne no mais âmago de mim mesmo,
esse nome trabalha-me,
é igual ao segredo: pão,
eu cômo-o no mais escuro do mundo,
cortado a água e mais nada,
quase como quando se morre mais devagar,
se é noite que entra: pão profundo mastigado
acaso na maior das noites seguidas umas às outras
herberto helder
letra aberta
porto editora
2016
em dois abismos de sono, esse nome
faz-se carne no mais âmago de mim mesmo,
esse nome trabalha-me,
é igual ao segredo: pão,
eu cômo-o no mais escuro do mundo,
cortado a água e mais nada,
quase como quando se morre mais devagar,
se é noite que entra: pão profundo mastigado
acaso na maior das noites seguidas umas às outras
letra aberta
porto editora
2016

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