21 julho 2026

antónio dacosta / no meio das águas

  
 
NO MEIO das águas está a fresca ilha
Onde do leite de sereia mamaste
No seio daquela que de lá o trouxe
 
Pobre de ti das praias ardentes esquecido
Da Dinamarca te elegeste príncipe
Do veneno bebeste quanto restou
Na corte onde Ofélia amou
 
Da janela do teu bairro com quiosque
De alma aos pés e pénis na mão
Pensaste o ser e não ser de outros que ti
 
E se da ilha só sargaços Circe te deu
Na outra de Próspero foste o grande amigo
 
 
 
antónio dacosta
saudade
a cal dos muros
assírio & alvim
1994




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