22 julho 2026

al berto / doze moradas de silêncio

  
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envolver-me na mais obscura solidão das searas e gemer
amassar com os dentes uma morte íntima
durante a sonolência balbuciante das papoulas prolongar
a vida deste verão até ao mais próximo verão
para que os corpos tenham tempo de amadurecer
 
colher em teu sexo o sumo espesso
e no calor molhado da noite seduzir as luas
o riso dos jovens pastores desprevenidos… as bocas
do gado triturando o restolho… as correrias inesperadas
das aves rasteiras
 
e crescerei das fecundas terras ou da morte
que sufoca o cio da boca
subirei com a fala ao cimo do teu corpo ausente
transmitir-lhe-ei o opiáceo amor das estações quentes
 
 
 
al berto
doze moradas de silêncio 1978/1979
o medo
assírio & alvim
1997
 


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