XXXV
a mochila a bater-lhe nas pernas,
corre, como todos os humanos, pelas suas próprias lágrimas;
as escadas, vou ao seu quarto. Está sem alguém e sem uma pa-
lavra. Fecho a porta e desço. A rapariga que temia a impostu-
ra desce a meu lado,
as escadas duram o tempo que demora a contar-me a história
posso ver?
à sua vontade!
Ele inclinou-se, abriu-a e olhou a nascente de todo o conflito.
já viu tudo?
já.
então feche.
Ele fechou, levantou-se e pediu-lhe:
se não me der um beijo, julgarei que está ofendida.
não, não estou; mas você mirou-se na sua morte e os beijos
nos mortos são só piedade. Feche os olhos; não os quero
ver!
Ele fechou os olhos. E ela, tomando a coragem de o fazer
voltar à vida, deu-lhe um forte par de bofetadas. Atónito, pôs-
-se a correr por entre as suas lágrimas.
onde vais drama-poesia?
relógio d´água
2000

