pois quem fala não morreu,
as labaredas já temos
para a fome que nos deu.
vinde cá, digo-vos eu,
vemos, ouvimos, ‘spiamos,
pois quem fala não morreu.
no ermo pardo que tiveres,
estás só, não há bustos, não
há diálogo nem mulheres,
e é bem fraco, o barco teu –
vinde cá, abri a boca,
pois quem fala não morreu.
50 poemas
tradução vasco graça moura
relógio d’água
1998
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