sempre. Chegava habitando um ar onde
as abelhas pela tarde entravam já
exaustas do seu exame de pólen, e abria
as mãos até que a noite adormecesse
nas suas margens fatigadas. Quem aprendeu
com a madrugada a subir os degraus do
mundo, talvez uma ou outra vez com ela
e seu comum de amor ousasse repetir as
duas ou três sílabas da alegria frágil
dos vidoeiros, o pólen ainda luzindo
nos lábios, à beira do rio. Mas eu
falava era dos seus olhos, das suas pálpebras
inexperientes em respirar com a água.
estação
on y va
2020
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