Algures alguém
viaja furiosamente ao teu encontro,
A uma
velocidade incrível, viajando dia e noite
Por entre
nevões e calores do deserto, transpondo torrentes, atravessando desfila-
[deiros.
Mas saberá ele
onde te encontrar?
Reconhecer-te-á
quando te vir?
Dir-te-á a
coisa que tem para ti?
Aqui quase nada
cresce,
E contudo os
celeiros estão a abarrotar,
As sacas de grão
empilhadas até às traves do tecto.
Os ribeiros
correm docemente, engordando o peixe;
Pássaros escurecem
o céu. Será que basta
Deixar a malga
do leite lá fora à noite,
Pensar nele às
vezes,
Às vezes e
sempre, com sentimentos confusos?
john ashbery
uma onda e outros poemas
tradução
colectiva / joão barrento
poetas em
mateus
quetzal
editores
1992