Não mais um
canto de amor ou de guerra.
A ordem de onde
o cosmos trazia o nome desfez-se;
As legiões
celestes são um emaranhado de monstros,
O universo assedia-nos
cego, violento e estranho.
O céu está
cheio de horríveis sóis mortos,
Sedimentos densíssimos
de átomos triturados.
Deles nada
emana, senão uma gravidade desesperada,
Nem energia,
nem mensagens, nem partículas, nem luz;
A própria luz
deixa-se cair, quebrada pelo seu próprio peso,
E todos nós,
semente humana, vivemos e morremos para nada,
E os céus
revolvem-se perpetuamente em vão.
30 de Novembro, 1974
primo levi
a uma hora incerta
trad. rui
miguel ribeiro
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