19 junho 2018

isabel meyrelles / será a paz, será a guerra?




Será a paz, será a guerra?
Cada um sabe de que inferno vem,
saído da casca de manhã
entre dois braseiros mortais
a regra do jogo é caminhar de mão vazias
a morte dos cisnes é uma aventura sem amanhã
à sombra das pálpebras do deserto
os girassóis viraram-me as costas
relinchando de um terror empoeirado
aquilo que assobia aos meus ouvidos não tem nome
mas eu reconheço-o pelo que ele é
icebergue de sangue
uivando à lua.

Julho, 1985



isabel meyrelles
poesia
le messager des réves (o mensageiro dos sonhos)
tradução de vítor castro
quasi
2004







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