08 junho 2026

manuel antónio pina / saudade da prosa

  
 
Poesia, saudade da prosa;
escrevia «tu», escrevia «rosa»;
mas nada me pertencia,
 
nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava ou que sabia.
 
E se regressava
pelo mesmo caminho
não encontrava
 
senão palavras
e lugares vazios:
símbolos, metáforas,
 
o rio não era o rio
nem corria e a própria morte
era um problema de estilo.
 
Onde é que eu já lera
o que sentia, até a
a minha alheia melancolia?
 
 
 
manuel antónio pina
rosa do mundo, 2001 poemas para o futuro
assírio & alvim
2001
 



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