05 junho 2026

antónio franco alexandre / (domínio público)

  
 
Amo todos os teus. Pouco me importam
o corpo em que dormitam,
a língua dos seus sonhos desabridos.
Mas a quem minto agora? o menor gesto
abre na terra abrigo; uma palavra
vale todo um cinema, é bem sabido.
 
Tantas canções e versos pelo mundo fora
e só um, em querendo, será teu.
Querendo tu e ele, como corpos que
na secura dos corpos se saciam
terá o mundo alheio uma outra face
e outro novo passado nos será futuro.
 
Ah também tu és vaidoso, meu querido.
Também tu queres vestir-te
de rimas e kalamanknes leibserdak
e ver o manto rasgado
numa cave transcendente.
De terra em terra foste deixando as asas.
Não mintas mais: só conheceste imagens.
 
 
 
antónio franco alexandre
poemas
carrocel
assírio & alvim
2021
 



Sem comentários: