mas parece dormir dentro dos meus olhos.
Entre nós não há nada a ser o corpo
de uma cerveja turva de sangue.
onde tudo se passa em panorama turístico
cenário de marquesas de azulejo
ou de sedutores com o pé no estribo.
do Ronaldo e a minha elegante camisa
azul-turquesa que soube delicadamente
enxugar uma lágrima de espuma.
do seu tédio e eu a ele do meu riso
de tradutor traído.
Eu sei. Claro que sei. Também vi esse filme.
para as mãos deste príncipe
que me deixa passar por entre cortesãs
que não vê nem ouve e lhe pedem tremoços.
e alguma ternura de papel pintado.
Não há como sermos grandes na cozinha
dizem as facas limpas já na sobremesa.
na bandeja de chapa negra da memória,
talvez quisesse dar-ma na da avó de prata
que não saiu das berças para entrar na história.
lisboas roteiro sentimental (2000)
o que foi passado a limpo, obra poética
assírio & alvim
2007
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