25 junho 2026

josé miguel silva / lamento de calipso

  
 
Primeiro foi o bule,
de seguida foi a asa.
Que mais irás quebrar.
 
Não sei o que fazer com o teu sim,
o teu não, o teu
passa-me o açúcar.
 
A distância dos teus olhos, não a sei
abreviar, o latido dos teus sonhos
não me deixa adormecer.
 
Gostava de te amar um pouco menos,
de voltar ao meu rebanho
de feridas e sopores,
 
regressar ao rijo barro dos domingos
em que não te conhecia,
ao supor das tardes,
 
quando ainda não sabia
da dureza do cimento
nem dos modos de quebrar e ser quebrado.
 
 
 
josé miguel silva
ulisses já não mora aqui
língua morta
2014




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