Referem as
histórias orientais
A daquele rei
do tempo, que, sujeito
A tédio e
esplendor, saiu, secreto,
Sozinho, para
chegar aos arrabais
E se perder na
multidão das gentes
De rudes mãos e
de obscuros nomes;
Hoje, como
aquele Emir dos Crentes,
Harun, Deus
quer andar por entre os homens
E nasce de uma
mãe, tal como nascem
As linhagens
que em poeira se desfazem
E ser-lhe-á
entregue o mundo inteiro,
Ar, água, pão,
manhãs, a pedra, o lírio;
Depois, porém,
o sangue do martírio
E os cravos, o
escárnio e o madeiro.
jorge luís borges
obras completas 1952-1972 vol. II
o outro, o mesmo (1964)
trad. fernando
pinto do amaral
editorial
teorema
1998