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19 setembro 2026

günther eich / inventário

  
 
Isto é o meu boné,
isto é o meu casaco,
aqui, as coisas da barba
no saco de linho.
 
Lata de conservas:
prato e copo,
gravei na folha
o meu nome.
 
Gravei-o com este
precioso prego
que escondo
de olhares cobiçosos.
 
No saco do pão tenho
um par de peúgas de lã
e outras coisas
que não digo a ninguém;
 
assim, de noite, serve-me
de almofada para a cabeça.
Este papelão aqui está
entre mim e a terra.
 
A mina do lápis
é o que mais amo:
de dia escreve-me versos
que inventei de noite.
 
Isto é o meu bloco de notas,
isto é a minha lona,
isto é a minha toalha,
isto é o meu carrinho de linha.
 
 
 
günther eich
a palavra interdita
tradução de joão barrento
campo das letras
2001
 




06 setembro 2012

günther eich / confiança


  

Em Salónica conheço alguém que não lê.
E em Bad Nauheim.

Já são dois.




günther eich
a rosa do mundo 2001 poemas para o futuro
tradução de joão barrento
assírio & alvim
2001