
A poesia é a
ficção suprema, madame.
Tome a lei
moral e faça dela uma nave
E da nave
construa o céu assombrado. Assim,
A consciência é
convertida em palmas,
Como cítaras de
vento ansiando por hinos.
Em princípio
concordamos. É claro. Mas tome
A lei oposta e
faça um peristilo,
E do peristilo
projecte uma mascarada
Para lá dos
planetas. Assim, a nossa indecência,
Não expurgada
por epitáfio, praticada por fim,
É igualmente
convertida em palmas,
Meneando-se
como saxofones. E palma por palma,
Madame, estamos
onde começámos. Permita,
Portanto, que
na cena planetária
Os seus
flageladores desafectos, bem-comidos,
Em parada,
batendo nas barrigas entontecidas,
Orgulhosos de
tais novidades do sublime,
Tais trran-tan-tan
e trrum-tum-tum.
Possam,
meramente possam, madame, arrancar de
si mesmos
Uma jovial
algazarra entre as esferas.
Isto fará
crispar as viúvas. Mas coisas fictícias
Piscam quando
querem. Piscam mais quando as
viúvas crispam.
wallace stevens
ficção suprema
trad. luísa
maria lucas queiroz de campos
assírrio &
alvim
1991