Mostrar mensagens com a etiqueta abelardo linares. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta abelardo linares. Mostrar todas as mensagens

28 agosto 2017

abelardo linares / no alto



Junto ao mar. Às costas do velho molhe, cheira
a peixe  alcatrão, a sós, na noite
sem candeeiros nem luzes, com uma camisola fina
e a aragem no rosto, enquanto se ouve ao longe
música de arraial e o bater  das ondas,
a minha lembrança procura-te e ergue-te e segura-te
para olhar para ti tal como então olhava,
por cima de tudo o que passa e sucumbe.
No alto  mais fundo, onde permaneces ainda.



abelardo linares
trípticos espanhóis 1º
trad. joaquim manuel magalhães
relógio d´água
1998



27 janeiro 2015

abelardo linares / marinha



Alba. Homens do mar
deixavam nas areias
algas e conchas.
E perdiam-se depois,
vacilantes e alegres,
pelas ruas do porto.
Nos ombros os cestos
húmidos da pesca
pareciam oferendas
a um deus desconhecido
e sorridente.

  

abelardo linares
trípticos espanhóis 1º
trad. joaquim manuel magalhães
relógio d´água
1998





26 setembro 2011

abelardo linares / ofício do costume






Do amor às palavras apenas resta costume.
Faz-se rito o mistério e um deus inútil
silencioso visita a paisagem devastada dos nossos sonhos.
Em espelhos a arder olhamos o nosso rosto
e a mão segura uma flor que é de gelo e cinza.
Se nesse entardecer um pássaro cego cantar,
que nos devolverá o seu canto se já a noite aguarda
para arrancar dos nossos olhos a luz última do mundo?






abelardo linares
trípticos espanhóis 1º
trad. joaquim manuel magalhães
relógio d´água
1998