04 maio 2017

jacobo cortines / nardos de novembro



I
Com o mor as rosas são mais belas
e dura o seu perfume na memória,
o nardo é sempre branco e a sua brancura
jamais receia os frios do inverno.
A um sonho bem remoto fui buscar-te
porque soube de ti entre os espinhos,
e segui as tuas pegadas passo a passo
até entrar em tua casa e encontrar-te.
Não me negues teus lhos, porque neles
vivo livre de mim. Que o teu sorriso
não se torne tristeza nem se manche
do teu amparo a límpida clareza.
Conheci tantos bosques e desertos,
subi a tantos cumes e deixei
que a vistas e perdesse pelos vales
para achar um lugar que te ofereça.
Hoje estás perto e sei da tua beleza
Sei que é bonita a rosa e a sua fragrância
Contigo não se extingue, e que os nardos
com o amor não morrem em Novembro.




jacobo cortines
nardos de novembro
tradução de josé colaço barreiros
canal revista de literatura nr.2
maio de 1998
palha de abrantes



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