05 agosto 2016

mario luzi / ano



Benéficas agora, ainda tranquilas
As cepas, as uvas
A vinha do enforcado. O Outro
É ainda o desconhecido, o Outro estava, está sempre
Fechado neste céu opaco
Onde a luz avinhada
É cada vez mais frouxa
 – e o grito do tentilhão já és só gelo.

Aqui, nestes trabalhos calmos,
Claros, aqui prossegue arde
O tudo que não tenho
Mas tenho que perder.
Os tempos que se foram,
O tempo que aí vem
Arremetem –
Sem saber como, cheguei aqui,
Espero, ardo, avanço por
Dias e dias inacessíveis
E torno-me sem fim o que já sou,
A repousar nesta luz vazia.


mario luzi
trad. ernesto sampaio
rosa do mundo
2001 poemas para o futuro
assírio & alvim
2001



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