13 janeiro 2015

cristovam pavia / ruas polidas


          «Na cidade quem olha para o céu?»
                                             Carlos Queiroz



Sou solteiro, as ruas são livres,
Minhas mãos nuas
De anéis,
Os músculos festivos
E há missa sobre o mundo.
Carlos Drummond de Andrade,
Virgílio brasileiro,
Sobe comigo aos ciclos das palavras,
Desce comigo às pedras públicas
Da cidade, que
Passos humildes, anónimos,
Pacientemente
Poliram, ao ponto de nelas
Podermos por vezes, discretos,
Patinar
E ousar voos.
(Teilhard).
Um outro Carlos
- Queiroz esse, disse em Sete
Caprichos para Ela
(Setenta vezes sete para o meu capricho):
Bendito seja o sex-appeal.
Ruas pela humildade ou o anónimo
- Na cidade quem olha para o céu,
Se nas ruas polidas fulgem estrelas
E um murmúrio de cântico geral?
Sim, há ruas em que podemos patinar,
Prontos para o discreto voo
De quem, lúcido ou bêbedo, ou banal,
Deseja por momentos o alto ar…
E desliza.
Há missa sobre o mundo
E eu encontro partículas
Inúmeras de uno
(Desde o moreno de Estela até à brancura de Elisa)
E de eterno feminino
(Goethe),
Que impelem para o alto
Voo.



cristovam pavia
poesia
dom quixote
2010




1 comentário:

www.pedradosertao.blogspot.com.br disse...

Divino!

Abraço do Pedra e um 2015 mais cheio de paz para todos!

www.pedradosertao.blogspot.com.br