10 dezembro 2004

quatro estações #crónicas de outono

hairy building



a casa


e a casa fecha-se
como uma flor que se gasta

agora
as palavras sobem-na
como raízes
devoradoras
sobre os olhos
entaipados

há esse amor
um vermelho muito alto
tão alto
e a morrer, a morrer
como sangue ao relento
ou livros abandonados
no chão da memória

no desejo

e há um adeus muito triste
um céu antigo
que tudo cobre sem gritar

ternura
é a ternura meu amor
é esta fogueira medonha que se apaga
no coração silencioso
do tempo frio

a casa, amor
o punho fechado do destino
roendo
o que os olhos largaram na rua
o que as mãos pousaram
no coração
para sempre, para sempre, para sempre

gil t sousa

1 comentário:

Guida disse...

Lindo...
A cada taco de madeira consegui atribuir-lhe uma cor. E associei-a a cada palavrinha abstracta, a cada ternura, a cada amor, a cada desejo, em passos que são dados por mim a todo o instante.
Guida*

www.rodadosventos.blogspot.com