I
Passo a vida a fazer e a desfazer quimeras,
Enquanto o mar produz o monstro azulejado
E Deus, em cima, faz as verdes Primaveras.
E erro como estrangeiro ou homem de outras eras,
Talvez por um contrato irónico lavrado
Que fiz já e não sei noutras subtis esferas.
Não mataram em mim o antigo sentimento,
Embriagam-me o Sol e os cânticos do dia…
Procuro em toda a parte a música das cores,
– E nas tintas da flor achei a Melodia.
edoi lelia doura
antologia das vozes comunicantes
da poesia moderna portuguesa
organizada por herberto helder
assírio & alvim
1985
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