26 março 2024

daniel jonas / o vento



 
 
Porque não há nada em vez de tudo? – perguntou
o cientista – Tudo me cansa:
a tentativa, o esforço. O consegui-lo.
Tudo é redondamente inútil:
o desejo, o seu decesso.
O confronto de ideias então
apavora-me. Até mesmo a ideia de
começar a falar,
a indústria de se ganhar algo, o movimento
são desgastantes antes de si.
Tudo é absolutamente a mesma coisa.
Nada conquista nada.
O vento é.
 
 
 
daniel jonas
bisonte
assírio & alvim
2016




 

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