29 setembro 2010

violeta c. rangel / pôde ter sido ontem ou há um verão






Pôde ter sido ontem ou há um verão,
numa tarde dessas idiotas
em que andava aos saltos dos comboios
ou bebia rum com esses turistas.

Mas não, fazes questão de vir
precisamente a esta hora,
quando nem chove nem está frio,
e estou triste, e já não tenho
vontade de abrir o meu sangue a ninguém.

Enfim, é precisamente agora,
com a vida de rastos
e uma vontade de morrer
a qualquer preço, que escuto
os teus passos na erva,
e chamas, chamas… deus!,


e corro a abrir-te.






violeta c. rangel
poesia espanhola anos 90
trad. joaquim manuel magalhães
relógio d´água
2000






2 comentários:

Albino M. disse...

Violeta C. Rangel (Podia ser ontem)



Pudo ser ayer o hace un verano,
en una tarde de esas tontas
cuando andaba a salto de los trenes
o bebía ron con esos guiris.


Pero no, te empeñas en venir
justo a esta hora,
cuando no llueve ni hace frío,
y estoy triste, y ya ni tengo
ganas de abrir mi sangre a nadie.


En fin, es justo ahora,
con la olla por los suelos,
y unas ganas de morirme
a cualquier precio, cuando escucho
tus pasos en la hierba,


y llamas, llamas... ¡dios!,


y corro a abrirte.



Violeta C. Rangel







Podia ser ontem ou no verão passado,
numa dessas tardes tontas
quando eu andava a saltar dos comboios
ou a beber rum atrás desses cromos.


Mas não, deste em voltar
logo a esta hora,
quando não chove nem faz frio
e eu estou triste, já sem vontade sequer
de abrir meu sangue a ninguém.


Enfim, logo agora,
em que a onda está por terra,
eu com vontade de morrer
a qualquer preço, é quando escuto
os teus passos na erva,


e chamas, chamas... ó deus!


e eu corro a abrir-te.


(Trad. A.M.)

Aqui: http://ruadaspretas.blogspot.com/2009/09/violeta-c-rangel-podia-ser-ontem.html

jvg disse...

Violeta C. Rangel (Podia ser ontem)

Podia ser ontem ou no verão passado,
numa dessas tardes tontas
quando pulava entre comboios
e bebia run com os de turística.

Mas não, é agora que te empenhas em vir,
logo a esta hora,
quando não chove, nem faz frio,
e estou triste, e já não tenho
vontade de abrir o meu sangue a ninguém.

Enfim, é logo agora,
com o vaso no chão,
e uma vontade enorme de morrer
a qualquer preço, que escuto
os teus passos sobre a erva,

e chamas, chamas…, oh deus!,

e corro a abrir-te.


(tradução jvg)