26 março 2007

regresso de passeio





Assassinado pelo céu,
entre as formas que vão até à serpente
e as formas que procuram o cristal,
deixarei crescer os meus cabelos.


Com a árvore de mãos cortadas que não canta
e o menino com seu branco rosto de ovo.

Com os animaizinhos de cabeça partida
e a água andrajosa dos pés secos.

Com tudo o que tem fadiga surda-muda
e borboleta afogada no tinteiro.

A tropeçar como o meu rosto diferente de cada dia.
Assassinado pelo céu!








federico garcia lorca
nova iorque num poeta
trad. antónio moura
hiena editora
1995


2 comentários:

joanaphoenix disse...

mt bonito o poema..mm mt "forte"..n eh bem esta a palavra q kero dizer, mas exprime quase q 1 raiva..gostei :)
beijos
******

margem disse...

não foi a primeira vez que o caminho aqui me trouxe, a estas palavras, a estas imagens de sal.

hoje procurava marguerite duras para a minha salsugem,ainda nascente, aqui vim ter.

não podia deixar de dizer, de sorrir à cumplicidade invisível deste gosto também de mar.