12 abril 2006

um poema de: leopoldo maria panero



OS LIVROS caíam sobre a minha máscara (e onde havia um esgar de velho moribundo), e as palavras açoitavam-me e um remoinho de gente gritava contra os livros, assim que os lancei todos à fogueira para que o fogo desfizesse as palavras...

E saiu um fumo azul dizendo adeus aos livros e à minha mão que escreve: “Rumpete libros, ne rumpant anima vestra”: que ardam, pois, os livros nos jardins e nas lixeiras e que se queimem os meus versos sem sair dos meus lábios:

o único imperador é o imperador do gelado, com o seu sorriso tosco, que imita a natureza e seu odor a queijo podre e vinagre. Os seus lábios não falam e ante essa mudez de assombro, caio estático de joelhos, ante o cadáver da poesia.

Leopoldo Marra Panero 1 .03.87



poemas do manicómio de Mondragón
trad. de jorge melícias
ed. alma azul
coimbra 2003


1 comentário:

francoe disse...

"E saiu um fumo azul dizendo adeus aos livros e à minha mão que escreve:"

e à minha mao = y mi mano
O texto original diz = "ya" mi mano

algo as well as:
já minha mão.
o que o muda bastante.