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10 fevereiro 2020

pat boran / a bondade de um homem



A bondade de um homem vê-se
pelo que ele diz a um cão
quando tem de saltear da cama
a meio de uma noite de inverno
porque um maldito cão tem estado a ladrar

e vai, abre a porta
de camisola interior e boxers
e ali à frente no baldio cheio de buracos
a que chamam campo de jogos
dá com o rafeiro de pata

no ar na expectativa
e um ar que diz: Graças a Deus
por momentos pensei
que só eu estava acordado
nesta terra de merda.



pat boran
o sussurro da corda
trad. francisco josé craveiro de carvalho
edições eufeme
2018






15 abril 2019

pat boran / quando estiveres a mudar de casa



Quando estiveres a mudar de casa
leva tempo a escrever a direcção no caderno de endereços
porque os fantasmas cujos nomes lá estão
procuram constantemente novas casas,
como estudantes do primeiro ano em cabines telefónicas
                                                                               [embaciadas.

Quando chegares com os livros
e a frigideira já esses fantasmas se terão
sentado nessa poltrona, terão descoberto
rangidos muito demorados do soalho,
estarão acampados na orla idílica dessa cama virgem.



pat boran
o sussurro da corda
trad. francisco josé craveiro de carvalho
edições eufeme
2018






27 dezembro 2018

pat boran / mudança



                        em memória de Michael Hartnett



O calendário da secretária nas últimas folhas.
No abajur uma aranha minúscula tece
um manto de inverno.
O céu é uma única nuvem
mais carregada contudo para oeste.
O crânio de um ninho de andorinha
sorri na caleira.



pat boran
o sussurro da corda
trad. francisco josé craveiro de carvalho
edições eufeme
2018