30 agosto 2017

josé carlos ary dos santos / retrato de rimbaud



Pois comigo na cama é que eu te queria
morder-te os sons visíveis e perversos
e enforcado nos cornos da poesia
esfregar-me nas imagens e nos versos.

Pois comigo na cama é que eu te queria
arco-íris de letras flor de gritos
dançando até ao espasmo da alegria
o apaixonado baile dos malditos.

Pois comigo na cama é que eu te queria
iluminado pelo cio aberto
da bala que se vê não se vigia
parece longe e entanto está tão parto.



ary dos santos
vinte anos de poesia
fotografias, 1970
círculo de leitores
1983






2 comentários:

Gilberto Dinarte disse...

;)

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e Outras disse...

Eis o papa da poesia! Nem dá para tentar uma releitura, mas vamos lá:
Na cama eu te quero qual tarado
Que ama, que deseja, e entretanto
Tenta pecar sem cometer pecado
Por obra e graça do instinto santo.

Foi a orgia deste instinto herdado
Que devolveu a mim o velho encanto
De enveredar, em vez de ver o pranto,
Ver o valor da voz do vago canto.

Que faz o vate envereda à cama
Para curtir o amor com que se ama
À luz da vida e da voz do amor.

Quero te ver na cama como dama
Fiel ao cavalheiro que proclama
Amor a cama fazendo o que for.


Grande abraço. LAERTE.