09 dezembro 2016

josé ángel cilleruelo / a noite



Conhece todas as conversas,
Que vida contará como sendo sua,
Onde terá que rir, onde calar-se.
Não lhe serve, por mais que o pretenda,

Como sonho nenhum rosto belo
Ou jovem. Passou por muitas portas
(entrou em tantos quartos tantos dias)
Para agora o comover alguma.

Sabe que um corpo não é já o paraíso
Mansidão do tempo, puro dom.
Mas de pouco vale a experiência,

De nada a meditação, presságio
Ou incerteza, quando com a noite
O toma a ânsia de animal ferido



josé ángel cilleruelo
trípticos espanhóis 2º
trad. joaquim manuel magalhães
relógio d´água
2000