09 setembro 2011

rosario castellanos / amanhecer


.
.
.

Que se faz na hora de morrer? Volta-se
a cara contra a parede?
Agarra-se pelos ombros o que está perto e ouve?
Deita-se cada um a correr, como o que tem
as roupas incendiadas, para chegar ao fim?

Qual é o rito desta cerimónia?
Quem vela a agonia? Quem puxa o lençol?
Quem afasta o espelho por embaciar?
Porque a esta hora não há mãe nem parentes.

Já não há soluço. Nada, mais que um silêncio atroz.
Todos são uma face atenta, incrédula
De homem de outra margem.

Porque o que sucede não é verdade.






rosario castellanos
trad. josé bento
rosa do mundo
2001 poemas para o futuro
assírio & alvim
2001
.
.
.

1 comentário:

費爾南加里多 disse...

Lindo e pungente.