04 janeiro 2010

herberto helder / última ciência








Ninguém sabe se o vento arrasta a lua ou se a lua
arranca um vento às escuras.
As salas contemplam a noite com uma atenção extasiada.
Fazemos álgebra, música, astronomia,
um mapa
intuitivo do mundo. O sobressalto,
a agonia, às vezes um monstruoso júbilo,
desencadeiam
abruptamente o ritmo.
- Um dedo toca nas têmporas, mergulha tão fundo
que todo o sangue do corpo vem à boca
numa palavra.
E o vento dessa palavra é uma expansão da terra.





herberto helder
ofício cantante
poesia completa
assírio & alvim
2009








1 comentário:

Luiza M. Nogueira disse...

esse Helberto tem poesias em baixo da manga. :)