o lenho, tempo
sobre o tampo:
a chaleira imperturbável e fria.
vestirás o manto de neve
e deixarás a casa com o teu machado
tão afiado como um tordo
Expiarás in extremis no lenho
o musculoso braço da degola,
já longe o fumo do holocausto
no casebre, fumo sobre o charco.
loucos percutem,
ameias sobre ameias,
muralha fruste contra o frio.
O silêncio atordoa.
Toda a minúcia do que vês:
ligustro, roseira brava, alfazema,
não achou ainda caminho
para o poema.
o migrante gregário,
o boémio sedoso
com as bagas dos seus olhos
rolando para os mirtilos de Minsk
no aprumo oleoso.
um tordo cai
silenciado:
à volta do patíbulo truncado
um massacre de pássaros.
do que este vento
ou este gelo
a inteira a natureza.
bisonte
assírio & alvim
2016
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