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10 junho 2020

josé de almada negreiros / histoire du portugal par coeur


Mosteiro de Santa Maria da vitória, 1920

A MEU irmão António
de CAVALARIA 4

Na Cova da Batalha ficou dita um dia para semprea Vontade de Portugal.
As torres da Vontade de Portugal vêm desde o fundo da Cova, direitas, até ficarem mais altas do que os montes em redor.
– Foi a Fé d’O POVO-MAIS-PEQUENO que encheu de confiança uma Cova vazia na terra Portuguesa!





A HISTOIRE DU PORTUGAL PAR COEUR foi escrita para ser espalhada por todas as partes, depois de julgada por todos os Portugueses.
Está em francês, porque foi assim que ensinei aos estrangeiros a Raça onde nasci.
Sejam quais forem os Portugueses, todos podem julgar a minha HISTOIRE DUPORTUGAL PAR COEUR. E se houver entre Portugueses quem não tenha uma iniciação literária, tanto melhor, para poder julgar o que eu quis escrever por Nós todos.
Mas, inesperadamente, (porque os Portugueses nunca se denunciam na maneira de melhor servir a sua terra), dois Portugueses acabam de provar que eles serão o melhor júri do valor nacional da minha HISTOIRE DU PORTUGAL PAR COEUR.
Esses dois Portugueses chamam-se Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
A eles dois venho pedir para que me digam se a minha HISTOIRE DU PORTUGAL PAR COEUR deve ser, na verdade, espalhada por todas as partes ou rasgada para sempre, comigo próprio.
Aguardo de joelhos a sua resposta, com a HISTOIRE DU PORTUGAL PAR COEUR sobre o meu peito, onde guardo quotidianamente a ambição que não cedo a ninguém – de querer ser eu o melhor de todos os Portugueses!

Lisboa – Abril 1922






TEJO, lombada do meu poema aberto
em páginas
de Sol

Le Portugal se trouve là-bas, dans un endroit
du Sud-Ouest de l’Europe le plus éloigné
de Paris.

Le Portugal est le dernier coeur Européen
avant la Mer.

Nous avons notre Soleil National Portugais
qui fait grandir les pastèques et qui rend les
femmes belles comme des pommes et les hom-
mes durs comme des mâts.

Nous avons tous les fleuves dont nous avions
besoin. Le Tage en est leplus grand : il est
né en Espagne, comme d’autres, mais i1 n’a
pas voulu y rester.

Nous avons aussi des petits chevaux d’ancien-
ne race méridionale, tâchetés comme des va-
ches et qui n’ont jamais eu de pareil. Ils se
promènent après le diner, tout fièrs d’être
Portugais.

Nous avons aussi des vendeuses de poissons
qui vont dans les rues comme les bateaux sur Mer.
– Elles ont le goût du sel. Dans leur pan-
niers elles portent la Mer.
Elles se marient avec les pêcheurs qui ont
des têtes d’Océan et pantalonas bleu-marin.
(Au bout d’une dizaine d’années cela fait une
dizaine de petits matelots tout neufs!)

Le dimanche on va déjeuner sur l’herbe pour
voir notre Soleil National Portugais faire gran-
dir les pastèques au tour de petites maisons
blanchies où l’on fait encore des Portugais.
Les femmes du Portugal sont les seules qui
sachent faire des Portugais!

Le Dimanche on cherche une Marie pour se
marier. Tous les mariages commencent par
un Dimanche!

Moi aussi, j’aime une Maria! Je voudrais bien
que ce soit la Mienne: jetrouve qu’Elle est la
plus jolie et Elle crois que je suis le plus intel-
ligent!
Nous nous marierons, tout le monde le dit!


TEJO, lombada do meu poema aberto
em páginas
de Sol



Notre premier Roi fut un géant. On dit que,
de ce fait, il fut Roi

Dans une guerre contre les sarrasins, notre
1er Roi perdit tous ses soldats. Il resta seule
en combat contre les sarrasins.
Notre-Seigneur Jésus-Christ vint à son aide
et tous deux ont gagné la guerre contre tous
les sarrasins.
Ceci est raconté en héraldique par le drapeau
Portugais.
Au moyen-âge, où l’on a beaucoup pensé, le Roi Jean Premier, dit celui de Bonne Renommée, s’est marié (avec le consentement du peuple Portugais) à une très jolie dame Anglaise laquelle accoucha 4 des plus grands Portugais:
Un SAINT, un ROl, un HÉROS et un SAGE.
Celui-ci fut grand mathématicien. Il fit dela mathématique dans un temps où il failait encore inventer de la mathématique.
Il choisit un endroit dans le midi du Portugal, tout contre la Mer – pour déchiffrer la Mer! C’est là l’endroit du Portugal le plus éloigné de Paris!
Et tout ceci se passait dans un temps où laMer avait de terribles serpents dans la tête des marins.
Ce sage prince dessinait jour et nuit le mappemond. Quand ce fut fait, il fit bâtir des vaisseaux et des vaisseaux, pour qu’ils allassent répéter sur Mer les lignes au crayon qu’il avait tracées sur son mappemond.
Les vaisseaux sont partis, et quand les vaisseaux revinrent, les lignes au crayon que le Sage avait tracées sur son mappemond, étaient exactement vraies! elles avaient été parfaitement bien imaginées!
Depuis ce jour, l’Europe commença à devenir bien plus grande que sur la carte.

Un autre Portugais fait, le premier, le tour
du monde, tout comme l’oeil fait de rond le
l’orange.

Sur terre aussi, nous avons été três grands.
Guillaume Apollinaire connut un Portugais,
D. Pedro d’Alfarrobeira qui est revenu de son
7ème voyage.
«Avec ses quatre dromadaires courut le
monde et l’admira. Il fit ce que je voulais
faire si j’avait quatre dromadaires»,
dit Guillaume Apollinaire sur ce Portugais-là.

Un jour, Dom Sebastião, notre Roi le plus
jeune, notre plus beau Roi, rassembla toute
la jeunesse Portugaise pour accomplir la
grande Victoire.
Mais Dieu garda cette Victoire, en atten-
dant... en attendant demain... en attendant
toujours demain…
…Nous attendant, nous autres, les Por-
tugais d’aujourd’hui!


Paris, 7 Avril 1919.


--- * ---



TEJO, lombada do meu poema aberto
em páginas
de Sol


Portugal situa-se lá em baixo, no lugar
do Sudoeste da Europa mais afastado de
Paris.

Portugal é o último coração Europeu
antes do Mar.

Nós temos o nosso Sol Nacional Português
que faz crescer as melancias e torna as
mulheres belas como maçãs e os ho-
mens duros como mastros.

Temos todos os rios de que
precisávamos. O Tejo é o maior: nasceu
em Espanha, como outros, mas
não quis lá ficar.

Temos também pequenos cavalos da antiga
raça meridional, manchados como vacas
e que nunca tiveram igual. Passeiam-se
depois do jantar, orgulhosos de serem
portugueses.

Também temos vendedoras de peixe
que vão pelas ruas como os barcos no Mar.
– Elas sabem a sal. Nos seus cestos
transportam o Mar. Casam-se com pescadores que têm
cabeças de Oceano e calças azul-marinho.
(Ao fim de uma dezena de anos o resultado
é uma dezena de pequenos marinheiros novinhos em folha!)

Ao domingo vai-se almoçar ao campo
para ver o nosso Sol Nacional Português fazer crescer
as melancias à volta de casinhas
pintadas de branco onde ainda se fazem portugueses.
As mulheres de Portugal são as únicas que
sabem fazer Portugueses!

Ao Domingo procura-se uma Maria para
casar. Todos os casamentos começam
por um Domingo!

Eu também gosto de uma Maria! Gostaria muito
que fosse a Minha: acho que Ela é
a mais bonita de todas e Ela acha que eu sou
o mais inteligente!
Havemos de nos casar, toda a gente o diz!


TEJO, lombada do meu poema aberto
em páginas
de Sol



O nosso primeiro Rei foi um gigante. Dizem que,
por isso mesmo, foi Rei.

Numa guerra contra os sarracenos, o nosso
1º Rei perdeu todos os seus soldados. E ficou sozinho
a combater contra os sarracenos.
Nosso Senhor Jesus Cristo veio em seu auxílio
e os dois ganharam a guerra contra os sarracenos.
Esta história é contada em heráldica pela bandeira
Portuguesa.

Na idade-média, onde se pensou muito, o Rei João Primeiro, chamado o da Boa Memória, casou-se (com o consentimento do povo Português) com uma bonita dama Inglesa a qual deu à luz 4 dos maiores Portugueses:
Um SANTO, um REI, um HERÓI e um SÁBIO.
Este último foi um grande matemático. Ele fez matemática num tempo em que faltava ainda inventar a matemática. Escolheu um lugar no sul de Portugal, juntinho ao Mar – para desvendar o Mar! É esse o lugar de Portugal mais distante de Paris! E tudo isto se passava num tempo em que o Mar tinha terríveis serpentes na cabeça dos marinheiros. Este príncipe sábio desenhava dia e noite o mapa-mundo. Quando acabou, fez construir barcos e barcos, para irem repetir no Mar as linhas a lápis que ele tinha traçado no mapa-mundo. Os barcos partiram, e quando os barcos voltaram, as linhas a lápis que o Sábio tinha traçado no mapa-mundo eram exactamente verdadeiras! tinham sido perfeitamente bem imaginadas! Desde esse dia, a Europa começou a tornar-se bem maior do que no mapa.
Um outro Português foi o primeiro a fazer a volta ao mundo, assim como o olho faz a volta à laranja.

Em terra também fomos grandes.
Guillaume Apollinaire conheceu um Português,
Dom Pedro d’ Alfarrobeira que voltou da sua 7ª viagem:
«Com seus quatro dromedários correu
o mundo e o admirou. Fez o que eu fazer gostava
se tivesse quatro dromedários»,
diz Guillaume Apollinaire sobre esse Português.

Um dia, Dom Sebastião, o nosso Rei mais novo,
o nosso mais belo Rei, reuniu toda a juventude
Portuguesa para levar a cabo a grande Vitória.
Mas Deus guardou essa Vitória, à espera…
à espera de amanhã…  sempre à espera de amanhã…
… Esperando-nos, a nós, aos Portugueses de Hoje.

Paris, 7 de Abril de 1919



josé de almada negreiros
poesia
estampa
1971


(a tradução é a de Graça Vieira Lopes)








08 março 2020

josé de almada negreiros / as quatro manhãs



QUARTA MANHÃ

Um ângulo de terra diante de mim
com o vértice no meu olhar.
Ora junta em montes
ora rasa nos vales
assim segue a terra até ao mar,
e antes ainda de lá chegar
a própria terra já parece o mar.
A luz do dia mostra a natureza
e os meus olhos vêem.
A minha imaginação dá respiração à natureza
e de cor completa-a com o resto do redondo
o que além do ângulo à terra faltava.
Não só a paisagem os meus olhos viam
mas a terra inteira no seu verdadeiro tamanho,
não como a possam ver os olhos
mas como a imaginação
tem modos de medição.
E mais do que a sua própria grandeza
eu via também,
via com os olhos e a imaginação
todas as idades da terra
em toda a sua duração.
Tudo começava lá, ao princípio,
num ponto:
um simples ponto sem dimensão,
e do qual partiam depois todas as linhas
todos os ângulos, cones  e sectores
de uma esfera infinita
da qual a terra era uma pequena reprodução
e eu uma pequena reprodução da terra.
Desde o ponto inicial até mim
a linha era única
e não pertence hoje
senão a mim.
No ponto inicial nasceram todos os destinos, até os destinos sem dono.
Jamais perdi o tempo com o mistério dos outros
ainda mesmo que as nossas vidas se cruzem.
Não são as nossas vidas actuais que se comunicam
já sei
mas sim os nossos mistérios que dialogam.
E eu acabo de chegar apenas ao limiar do meu mistério.
Eu tive d'inventar-me um génio discretíssimo
para escapar através dos séculos à mecânica das actualidades.
Para chegar até aos meus próprios pensamentos,
aos meus pensamentos só meus,
eu tive muitas vezes de dar voltas ignóbeis!
Mas até que cheguei aqui
a isto que eu buscava,
e que é o principiar em mim.
Desde o ponto inicial
já tudo começou para mim
e passados séculos e séculos
eu hoje vou exactamente em mim.


                                             Escrito de 1915 a 1935
                                             Publicado em Suduoeste - 1935




josé de almada negreiros
poesia
estampa
1971






08 setembro 2019

josé de almada negreiros / esboço




O Sol-posto de mau gosto nem acerta com o postal.
A tarde hoje veio cedo
ainda hoje não comecei.
A paisagem não foi feita por mim
e a casa falta pensá-la.
Um hálito de convalescente casa-se com o sol poente.
Uma mulher sozinha na estrada
e o homem sozinho que a vê.
Fica o moinho a cantar
a rotina secular.


                                *
                *                             *

Tejo, lombada do meu poema aberto em páginas de sol.
Poesia dos pinheiros solteiros
encostados à nostalgia do fresco da tarde.




josé de almada negreiros
poemas
assírio & alvim
2017






09 junho 2019

josé de almada negreiros / férias



Nas ruas da aldeia
as casas fechadas nos seus segredos
(como mudos que só não têm fala para dizer)
como figuras d´altar aureoladas pelo fluido de cada destino
e a brisa avoluma-se de mistério
e a paisagem pinta-se de cores parecidas
com o que podia ter sido
a tingirem os pensamentos em cadeia
ou em girândola de glória ao Deus-dará
a fingirem significação connosco pessoalmente
a animarem-nos
a ajudarem-nos a levarmos o peso do corpo
uns dias mais
uns anos mais
até quando for
até se engelhar a carne e terminar o serviço
e não ter acontecido o que afinal vivemos
e ficar uma coluna lisa no ar, sem nenhum tecto apoiado
ou uma pedra rasa do chão
sem um sentido senão para cada qual
um sinal para não pisarem ali




josé de almada negreiros
poemas
assírio & alvim
2017





27 abril 2019

josé de almada negreiros / a invenção do dia claro



[…]

Imaginava eu que havia tratados da vida das pessoas, como há tratados da vida das plantas, com tudo tão bem explicado, assim parecidos com o tratamento que há para os animais domésticos, não é? Como os cavalos tão bem feitos que há!

Imaginava eu que havia um livro para as pessoas, como há hóstias para cuidar da febre. Um livro com tanta certeza como uma hóstia. Um livro pequenino, com duas páginas, como uma hóstia. Um livro que dissesse tudo, claro e depressa, como um cartaz, com a morada e o dia.

[…]


josé de almada negreiros
poesia
estampa
1971







21 março 2019

josé de almada negreiros / se é dever dizer o que




Se é dever dizer o que
sem mestre aprendi da
vida digo:
a natureza tem tudo
mas cada coisa de
sua vez.
É simultânea como o
conhecimento:
sabe-se bem uma coisa
por causa de várias
que se sabem mal.
E tive paz quando
soube que antigos
me tinham deixado
isto mesmo.



josé de almada negreiros
poemas
assírio & alvim
2017








14 maio 2018

josé de almada negreiros / a conferência improvisada





        Minhas Senhoras e meus Senhores:
                 Mulheres e homens são as duas metades da humanidade – a metade masculina e a metade feminina.
                Há coisas inteiras feitas de duas metades e aonde não se pode cortar ao meio para separar essas duas metades. Exemplo: a humanidade com a metade masculina e a metade feminina. São duas metades que deixam, cada uma, de ser uma metade se não houver a outra metade.
                     A linha que passa por entre estas duas metades é parecidíssima com o ar por dentro de uma esponja do mar, seca.



josé de almada negreiros
andaimes e vésperas
poesia
estampa
1971








07 março 2018

josé de almada negreiros / homem transportando o cadáver de uma mulher





Quis-te tanto que gostei de mim!
Tu eras a que não serás sem mim!
Vivias de eu viver em ti
e mataste a vida que te dei
por não seres como eu te queria.
Eu vivia em ti o que em ti eu via.
E aquela que não será sem mim
tu viste-a como eu
e talvez para ti também
a única mulher que eu vi!



josé de almada negreiros
poesia
estampa
1971






05 outubro 2017

josé de almada negreiros / as quatro manhãs


Primeira Manhã



Quando cheguei devia ser tarde,
já tinham dividido tudo
pelos outros e seus descendentes.
Só havia o céu por cima dos telhados
lá muito alto
para eu respirar
e sonhar.
Tudo o mais
cá em baixo
era dos outros e seus descendentes.
A terra inteira
e o mar
e o ar
tudo medido
dividido a régua e compasso
pelos outros e seus descendentes.
No mundo inteiro
não faltava ninguém
depois dos outros e seus descendentes.
A terra inteira
era estrangeira
mais este pedaço onde nasci.
Não me deixaram nada
nada mais do que o sonhar.
Eu que sonhasse!
E eu que amo a vida mais do que o sonho
e o sonho e a vida juntos
mais do que ambos separados
e que não sei sonhar senão a vida
e que não sei viver senão o sonho
hei-de ficar aqui
entre os outros e seus descendentes?
Eram meus os caminhos
os caminhos murados
só os caminhos eram meus.
Só tinham fim os caminhos
ao começar outros caminhos.
As portas fechadas
as janelas cerradas
só os caminhos eram meus.
A minha viagem não tinha fim
no fim de todos os caminhos.
O fim que tinha era outro
bem perto de mim
em todos os caminhos.
Bem perto de mim andava
aquele que eu buscava,
aquele que não era nenhum dos outros e seus descendentes,
alguém cuja pessoa era eu
que não me achava.
Apenas uma voz me falava e sabia
que eu não era nenhum dos outros e seus descendentes.
E esse que a voz sabia que eu o era
me levava pelos caminhos
os meus olhos primeiro do que eu
e o coração no peito a contar.
A voz sabia-o bem
e eu para me encontrar.
Também vi pelos caminhos
lembro-me de quantos
também como eu
à procura de tantos como eles.
Perdidos vão
perdidos? não!
não achados
não achados ainda.
Perdidos não estão
vão perdidos por se acharem,
vão mortos por se verem a si próprios
como são.
Levam o sonho no ar
e o coração a contar
as idades que é preciso ter
até cada um ser
aquele que vai em si.
Nascer é vir a este mundo
não é ainda chegar a ser.
Nascer é o feito dos outros.
O nosso é depois de nascer
até chegarmos a ser
aquele que o sonho nos faz.

Já sei de cor os caminhos
já sei o que vale a promessa
já vejo perfeito no sonho
o que me há-de a vida imitar.
Mais além
e o sonho e a vida
libertar-se-ão um do outro em mim!



josé de almada negreiros
poesia
estampa
1971