29 agosto 2025

maria velho da costa / dois poemas

  
1.
Nem sei estimar das vestes sem costura
o fito e alba
ou louvar da tala dos instantes
um só vermelho.
Pelas moradas ledas e subtis
à passagem dos castos e escolhidos
                                                        sustenidos
dos lidos
nada soube
que mais que o sáurio verde não prossiga.
Nem escolhido é o signo por lavrado
entre a testa e o chão
no húmido verdor dalguma víscera.
Se casas são plantadas com perícia
e arrematados autos lautos
louvados por tão cautos
seja a lhaneza desta a palha da debulha
o verde devolvido em amarelo.
É que não sei dos nomes com firmeza
mais que o início quedo e boçal talo
nem companhia posso ou artefactos
que o langor da lagarta não assista
que não consinta e emergir dos cactos.
 
 
2.
No entretanto do tempo é que o verde resiste
o interstício manso     a prova do contínuo
que quebra o passo e mais que o acrescenta
o assegura; se a roda começou
e do metal a terra é estreita     diminui
e de redonda à recta se afeiçoa
pelo verde o sabemos     no intervalo
dum ponto a outro ponto
do recado
da boca a outra boca     da fissura
entre o nome e o feito vertical.
 
No caule o facto osso e a semente
no espaço a obra de metal e a folha crua.
 
                                    In Capital, 20.1.71



maria velho da costa
desescrita
afrontamento
1972

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