Impossível imaginar o sono dos peixes. nem mesmo no
canto mais escuro do lago, entre os juncos, o seu descanso é uma vigília: a
mesma posição dura uma eternidade; é absolutamente impossível dizer deles:
pousaram a cabeça.
De igual modo, as suas lágrimas são como um grito
no vazio – incalculáveis.
Os peixes não são capazes de gesticular o seu desespero.
Isso justifica a faca romba que salta pelo dorso arrancando lantejoulas de
escamas.
zbigniew
herbert
poesia quase toda
tradução de teresa fernandes swiatkiewicz
cavalo de ferro
2024
Sem comentários:
Enviar um comentário