22 maio 2014

antónio maria lisboa / comutador



Ergo-me de ti no zimbório
de folhas na penedia do castelo medieval
de limos na humidade da praia
de cristais entre os rochedos do Cabo Horn

Caminho de gelo na floresta
de sôfrego na vastidão do deserto
de louco na brancura do hospício

Eu abismo, eu cratera
inclinei-me e vi um espectáculo caprichoso: uma unha branca
uma unha branca a viver assim despreocupada

OGIVA-BORBOLETA
Arco-de-Cor caldo muito triste
Casulo de quem ninguém falou
Teia-de-Aranha exposta à loucura e ao tempo
Andorinha-Azul de chapéu mole e baratas na cama
VENTOINHA.




antónio maria lisboa



1 comentário:

benjamim machado disse...

tão pouco lido e falado este senhor, expoente máximo do surrealismo, que escreveu um dos mais belos poemas de amor de sempre: "isso ontem único". obrigado pelo poema. um abraço.