29 novembro 2010

gil t. sousa / das viagens




28


regresso ao livro
que me declara sábio

que não me abandonem
os ventos
quando de novo navegar
o marítimo corpo
da ausência


é que me abro
à oração dos desertos
e sigo a minúcia dos milagres
até ao deslumbre
do que morre


(que torre é esta
que se atravessa na madrugada
e me serve o oculto canto
da paisagem que te esconde?)






gil t. sousa
falso lugar
2004




2 comentários:

magnohlia disse...

Muito belo!

dade amorim disse...

O poema é belíssimo, tocante, daqueles que se releem de vez em quando, porque fazem falta.