10 março 2010

gil t. sousa / tarde antiga






15/


oratórias de Bach
e uma fileira de árvores nuas

o vento é um calendário antigo
arrumado na gaveta mais funda

as jarras, os cinzeiros,
todos os vidros com
aquela pose de diamante

que durante tanto tempo
me encheram os olhos

numa caixa sobre a mesa
estão amarradas as últimas palavras

escritas em papel surdo
numa caligrafia mortal










gil t. sousa
falso lugar
2004







1 comentário:

magnohlia disse...

É uma tarde invisível?