23 junho 2009

william carlos williams / as árvores botticellianas









O alfabeto das
árvores

esvai-se na
canção das folhas

as hastes interceptadas
das finas

letras que enunciavam
o inverno

e o frio
iluminaram-se

de verde vivo
com

a chuva e o sol -
Os rigorosos e simples

princípios dos
ramos rectos

vão sendo alterados
por íntimos

retoques de cor, cláusulas
devotas

os sorrisos do amor -
.......


até que as frases
nuas

se movem como o corpo de
uma mulher debaixo do vestido

e louvam com sigilo e
desejo

a supremacia do amor
no verão -

No verão a canção
canta-se por si

sobre a surdina das palavras -









william carlos williams
antologia breve
tradução josé agostinho baptista
assírio & alvim
1993







3 comentários:

o Nosso cAstelo disse...

espectacular! não conhecia o poema...mt grata. boa noite

ParadoXos disse...

vim aprender este poema pois também não o conhecia!

abraço

lagrima disse...

Belissimo poema!
Abraço