27 julho 2008

douglas dunn / à janela da noite






A noite chocalha de pesadelos.
Crianças choram nas casas amontoadas,
Um homem apodrece a ressonar.
De pés silenciosos, guardas experimentam portas.
Passadas tornam-se pessoas à luz de candeeiros.
Bêbedos regressam de paródias,
Soando a garrafas vazias e velhas cantigas.
As raparigas voltam para casa,
O prazer nelas ensurdece-me.
Trotam como póneis
E desaparecem por entre camas brancas
À beira da noite.
Todas as janelas se abrem na noite escaldante,
E os que não têm sono, fumando no escuro,
Fazendo pequenas luzes rubras junto à boca,
Contam os anos dos casamentos.








douglas dunn
leituras poemas do inglêstrad. joão ferreira duarte
relógio d´água
1993





1 comentário:

Ramon Alcântara disse...

e o dia amanhece cansado, com seu relógio de pulso, polsando ainda noite, sujo de sexo.


abz